O Que É Ultranichar e Por Que É Inegociável para Agências de Marketing

Ultranichar não é só escolher um segmento. É a decisão que separa agências que crescem de agências que ficam competindo por preço para sempre. Entenda o método.


Existe uma pergunta que eu faço para toda agência que chega dizendo que está travada:

“Para quem exatamente você vende?”

A resposta mais comum: “Atendo negócios locais”, “Trabalho com PMEs”, “Tenho clientes de vários segmentos”.

Essa é exatamente a resposta que explica o travamento.

Quando você atende todo mundo, você não é especialista em ninguém. E quando você não é especialista, você compete por preço, porque é o único diferencial que sobra.


O Que É Ultranicho (E O Que Não É)

Nichar não é só escolher uma categoria grande.

“Saúde” não é nicho. É uma indústria inteira com dezenas de segmentos completamente diferentes entre si.

“Clínicas de saúde” ainda é genérico demais.

“Clínicas de harmonização facial em São Paulo” começa a ser um nicho.

“Clínicas de harmonização facial com faturamento acima de R$300k/mês em São Paulo” é um ultranicho.

A diferença não é apenas especificidade, é a profundidade com que você vai conseguir entender, falar e entregar resultado para aquele cliente específico.

No ultranicho, você conhece os procedimentos mais lucrativos do negócio do cliente, sabe quais épocas do ano têm mais demanda, entende as objeções que o paciente tem na hora de fechar, sabe o que os concorrentes estão fazendo. Você fala a língua do cliente como quem conhece o negócio de dentro.

É isso que o empresário percebe, e é por isso que ele paga mais e fica mais tempo.


A Analogia Que Explica Tudo

Qual médico cobra mais: o clínico geral ou o neurocirurgião?

O neurocirurgião. Sempre. E ninguém questiona isso.

Agora: qual agência cobra mais, a que atende de tudo ou a especializada em restaurantes com múltiplas unidades?

A lógica é exatamente a mesma. Mas por alguma razão, o dono de agência acha que a generalização protege o negócio. Na prática, ela faz o oposto.

O clínico geral compete com todo médico da cidade. O neurocirurgião compete com uma lista curta de especialistas. Quando você ultraniche, você para de competir com as centenas de agências genéricas e passa a competir com as poucas que atendem o mesmo nicho que você, que provavelmente são muito menos organizadas do que você vai ser.

Tem uma frase que resume isso bem: quando você é nichado, você fica incomparável. O cliente não consegue te comparar com outra agência porque não existe outra agência igual a você no radar dele.


Os 6 Critérios Para Escolher o Ultranicho Certo

Não é sobre escolher o nicho mais “quente” do momento. É sobre escolher onde você vai conseguir ser o melhor.

1. Onde você consegue entregar mais valor. Experiência anterior, conexões, conhecimento setorial, tudo isso conta. Se você trabalhou em clínica, se tem família que tem restaurante, se tem alguma conexão com o nicho, isso acelera muito a curva de aprendizado.

2. O nicho precisa de marketing? Posto de gasolina na esquina movimentada não depende de marketing. Dermatologista que quer crescer o faturamento, sim. Escolha nichos onde o marketing é parte essencial do crescimento do negócio.

3. O nicho está em crescimento? Locadora de vídeo era um bom nicho em 2000. Hoje não é. Harmonização facial, tecnologia, saúde preventiva, pet, nichos em expansão têm clientes mais dispostos a investir e mais tolerância para aprender.

4. O nicho tem poder de compra? Médico especialista fatura diferente de faxineira autônoma. Quanto mais o nicho fatura, mais você vai conseguir cobrar, e mais o marketing faz sentido como investimento para o cliente.

5. Onde você consegue cobrar mais? Alguns nichos têm cultura de pagar bem pelo que funciona. Outros negociam ferozmente até o último centavo. Conheça o comportamento de compra do nicho antes de escolher.

6. O dono do negócio se identifica com o nome do nicho? Esse critério é sutil mas importante. “Negócios locais” não é como um dono de restaurante se vê. Ele se vê como restaurateur, como empresário do food service, como franqueado. Quando você fala a linguagem do ICP, a conexão é imediata.


O Medo de Nichar (E Por Que Ele É Infundado)

Existe uma objeção que aparece sempre que falo sobre ultranicho: “E se eu nichar e o mercado secar?”

É um medo legítimo. E é baseado numa premissa errada.

Nichar não significa depender de um único cliente ou de uma única cidade. Significa ser o melhor em um segmento específico dentro de uma área geográfica. Quando você domina isso, você pode expandir para outras cidades com o mesmo modelo, não reinventando a roda, mas replicando o que já funciona.

Outro medo comum: “Não tenho nenhum cliente do nicho ainda. Como vou me posicionar como especialista?”

O primeiro cliente vem pela confiança de quem apresenta, não pelo portfólio do nicho. O posicionamento no Instagram, a linguagem que você usa, a forma como você se apresenta em uma reunião, isso é o “jaleco do médico”. Antes de ter dezenas de cases, o posicionamento já comunica especialidade.

Você não precisa ter 10 anos de experiência no nicho para começar. Precisa de convicção sobre onde vai se especializar e consistência para construir reputação.


Especialista em Dois Nichos Não É Especialista em Nenhum

Esse ponto gera resistência, mas é necessário dizer.

Quando alguém diz que é especialista em “saúde e beleza”, está dizendo que não é especialista em nenhum dos dois. Saúde e beleza são mercados diferentes, com decisores diferentes, linguagens diferentes, desafios diferentes.

A especialização que gera resultado é a que vai fundo. E profundidade exige foco.

Escolhe um nicho. Fica nele por pelo menos um ano. Constrói casos reais, aprende o vocabulário do mercado, entende o negócio do cliente melhor do que ele mesmo entende de marketing. Aí você tem algo que nenhum generalista consegue competir.

Depois que você dominar o primeiro nicho, aí sim faz sentido expandir, com a mesma profundidade, não com a mesma superficialidade de quem atende tudo.


O Resultado Prático do Ultranicho

Agências ultranichadas cobram mais. Têm menor churn. Têm menor custo de aquisição de cliente. Têm maior LTV.

Não é teoria, é o que vejo acontecer com centenas de mentorados que passaram pelo processo de escolher e se comprometer com um ultranicho.

O caminho não é fácil. A decisão de deixar de atender um cliente fora do nicho dói no curto prazo. A resistência de “mas esse cliente me paga bem” é real. Só que toda vez que você aceita um cliente fora do ICP, você está postergando o crescimento que poderia ter com um dentro.

Se você quer estruturar esse processo, da escolha do ultranicho até a primeira prospecção qualificada, a Prospecção Sniper da Ultralize foi desenhada para exatamente isso.


Rodrigo Bindes é co-fundador e mentor da Ultralize e CEO da Supersal, a mais conceituada agência de marketing para restaurantes do Brasil. Nicho: restaurantes. Resultado: mais de 50% de margem por três anos consecutivos.

Perguntas frequentes

O que é ultranichar uma agência de marketing?

É escolher um segmento bem específico para atender, não algo genérico como PMEs ou negócios locais, mas por exemplo clínicas de harmonização facial em São Paulo. Quanto mais específico, mais profundo fica o conhecimento sobre o negócio do cliente, o que permite cobrar mais e entregar melhor.

Quais critérios usar para escolher o ultranicho certo?

Seis critérios: onde você consegue entregar mais valor pela sua experiência, se o nicho precisa de marketing para crescer, se está em expansão, se tem poder de compra, onde você consegue cobrar mais e se o dono do negócio se identifica com o nome do nicho.

Nichar em dois segmentos ao mesmo tempo funciona?

Não. Ser especialista em dois nichos ao mesmo tempo, como saúde e beleza, significa não ser especialista em nenhum dos dois, porque são mercados com decisores, linguagens e desafios diferentes. A recomendação é escolher um nicho e ficar nele por pelo menos um ano antes de expandir.

Rodrigo Bindes, Co-fundador e mentor da Ultralize, Ultralize
Sobre o autor

Rodrigo Bindes

Co-fundador e mentor da Ultralize

Rodrigo Bindes é co-fundador e mentor da Ultralize e CEO da Supersal, a mais conceituada agência de marketing para restaurantes do Brasil. Construiu uma agência do zero e, em três anos, atingiu múltiplos 7 dígitos de faturamento com mais de 50% de lucratividade.