Como Definir o Ticket (Quanto Cobrar) a Partir do Faturamento do Cliente

Quanto cobrar com base no faturamento do cliente: a regra dos 2% a 5% mostra o teto saudável de investimento em marketing de qualquer empresa.


Todo dono de Agência de Marketing Digital já passou pela mesma dúvida na hora de montar uma proposta: quanto cobrar desse cliente sem chutar o valor? A resposta não está no seu custo operacional, nem no que o concorrente cobra. Está no faturamento do cliente que está na sua frente.

Existe uma regra simples para isso, que eu chamo de conta de padaria. Todo negócio saudável investe entre 2% e 5% do próprio faturamento em marketing, no total. Esse percentual é o teto real do que aquele cliente consegue pagar sem sentir dor no caixa. E é a partir dele, não do seu custo ou da sua vontade, que o ticket da sua agência deveria ser definido.

A Conta de Padaria: De Onde Vem o Teto do Ticket

A lógica é parecida com a de qualquer negócio físico. Uma padaria não investe qualquer valor em reforma ou em fornecedor sem olhar para o próprio faturamento primeiro. Com marketing é igual: existe uma fatia do faturamento que uma empresa consegue destinar a isso sem comprometer o resto da operação, e essa fatia fica, em geral, entre 2% e no máximo 5% do faturamento mensal.

O detalhe importante é que essa conta não é só sobre o valor da sua agência. É sobre o investimento total em marketing que o cliente faz. Se ele contrata sua Agência de Marketing Digital por R$5.000 e ainda investe outros R$5.000 em anúncios, o gasto total de marketing dele é R$10.000 por mês, não R$5.000. Se ele ainda paga separado por social media, ou por produção de foto e vídeo, esse valor também entra na soma. O que importa não é o seu contrato isolado, é o quanto aquele negócio gasta com marketing como um todo.

Quanto mais perto dos 2% o investimento total fica, mais confortável é para o cliente pagar. Ele não sente, não reclama, não questiona a fatura. Quanto mais perto dos 5%, mais pesado o valor fica no orçamento dele, e mais fácil é aparecer objeção, atraso ou cancelamento no meio do contrato. Passar de 5% já é sinal de ticket fora da realidade daquele cliente específico.

A Matemática Exata

Pega o exemplo de uma empresa que fatura R$100 mil por mês. Usando a regra, o espaço saudável de investimento total em marketing dela é: 2% equivale a R$2.000, 3% equivale a R$3.000 e 5% equivale a R$5.000. É esse o intervalo, não um valor aleatório que “parece justo” cobrar.

Agora inverte a conta, que é o uso mais prático dela para quem vende. Se você quer cobrar R$3.000 por mês de um cliente, usando 2% como referência, ele precisa faturar em torno de R$150 mil por mês para caber essa fatura sem sufoco. Abaixo disso, o mesmo ticket de R$3.000 passa a representar mais de 2% do faturamento dele, e o risco de dor no caixa aumenta.

É por isso que não adianta fechar com uma empresa que fatura R$30 mil ou R$50 mil por mês esperando cobrar R$3.000, R$5.000 de ticket. A conta simplesmente não fecha para o lado do cliente. Ele até pode aceitar no primeiro momento, mas dificilmente sustenta esse investimento por muito tempo, porque o percentual que ele está pagando de marketing passou muito do teto saudável.

Use Isso Para Qualificar Cliente Antes de Fechar

O primeiro uso prático da regra é filtro. Antes de investir tempo numa reunião de venda, dá para estimar se aquele cliente tem porte para pagar o ticket que a sua agência pratica. Se o ticket padrão da sua operação é R$3.000, o cliente precisa faturar perto de R$150 mil por mês para sustentar isso com folga. Fatura menos que isso e o encaixe não é saudável, mesmo que ele diga que topa pagar.

Esse filtro evita um erro clássico: fechar com cliente pequeno demais para o ticket, torcendo para que o faturamento dele cresça depois e “alcance” o valor cobrado. Isso raramente acontece dentro do prazo do contrato. O mais comum é o cliente sentir o peso da fatura já nos primeiros meses e cancelar, porque o percentual que ele está pagando nunca foi saudável para o porte real do negócio dele. Definir com clareza qual é o perfil de cliente ideal da sua agência antes de sair prospectando poupa esse retrabalho inteiro.

Use Isso Para Justificar o Preço na Venda

O segundo uso é argumento de venda. Em vez de apresentar o ticket como um número isolado que o cliente vai comparar com o que ele já pagou antes, você mostra o valor como uma fração pequena do que ele já fatura. R$3.000 por mês parece alto para quem fatura R$30 mil. O mesmo R$3.000 é 2% do faturamento de quem fatura R$150 mil, e isso muda completamente a percepção de preço.

Esse é um dos motivos pelos quais entender quanto cobrar pelos seus serviços não pode ser feito olhando só para uma tabela de preços fixa. O valor certo depende de quem está do outro lado da mesa, e o faturamento do cliente é o dado que ancora essa conversa em número, não em achismo.

Não Cobre Barato Demais de Cliente Grande

O terceiro uso, e o que mais dinheiro deixa na mesa quando ignorado, é evitar cobrar barato de cliente grande. Se uma empresa fatura R$300 mil por mês, o espaço saudável dela para investir em marketing vai de R$6.000 (2%) a R$15.000 (5%). Cobrar R$1.500 desse cliente não é uma gentileza, é desperdício. Ele tem porte de sobra para pagar um ticket muito maior, e a sua agência está deixando esse espaço na mesa por não ter feito a conta antes de precificar.

Esse é o erro inverso do primeiro: tanta atenção vai para não assustar o cliente pequeno que a agência também subprecifica o cliente grande, por hábito. A regra dos 2% a 5% serve nos dois sentidos: impede cobrar demais de quem não tem porte, e impede cobrar de menos de quem tem. Dominar esse cálculo é parte do caminho de como cobrar mais caro pelo seu trabalho.

O Teto Vira o Seu Piso

A regra dos 2% a 5% não é sobre limitar quanto a sua agência pode ganhar. É sobre alinhar o ticket ao porte real de cada cliente, para que o contrato dure e a operação cresça com previsibilidade em vez de churn constante. Quando você entende o teto saudável de investimento de cada cliente, para de negociar no escuro e passa a precificar com um número que faz sentido dos dois lados da mesa.

Se você quer estruturar essa precificação com quem já aplica esse método com carteiras de clientes de ticket alto, conheça a Mentoria Ultra da Ultralize. É exatamente esse tipo de conta que separa agência que negocia preço no escuro de agência que sabe, antes de entrar na sala, quanto aquele cliente pode e deve pagar.


Rodrigo Bindes é co-fundador e mentor da Ultralize e CEO da Supersal, a mais conceituada agência de marketing para restaurantes do Brasil. Em três anos, construiu uma agência com múltiplos 7 dígitos de faturamento e mais de 50% de margem de lucro.

Perguntas frequentes

Como calcular quanto posso cobrar de um cliente de agência de marketing digital usando a regra dos 2% a 5%?

Pegue o faturamento mensal do cliente e multiplique por 2% e por 5%. O resultado é a faixa saudável de investimento total em marketing dele. Uma empresa que fatura R$100 mil por mês, por exemplo, tem espaço para investir entre R$2.000 (2%) e R$5.000 (5%) por mês no total, somando agência, anúncios e qualquer outro serviço de marketing contratado.

Por que às vezes o cliente da agência de marketing digital investe 2% e às vezes 5%?

A margem do nicho do cliente muda o quanto ele consegue investir sem sentir dor no caixa. Negócios com margem maior toleram ficar mais perto de 5% do faturamento em marketing. Negócios com margem apertada precisam ficar mais perto de 2%, porque qualquer percentual acima disso já compromete o resultado financeiro do próprio cliente.

Meu cliente da agência de marketing também investe em tráfego pago. Isso muda quanto eu posso cobrar de ticket?

Muda, e para menos. A regra dos 2% a 5% é sobre o investimento total em marketing, não só sobre o valor da agência. Se o cliente já gasta R$5.000 em anúncios, esse valor entra na conta antes do seu ticket. Ignorar isso é o motivo mais comum de a agência de marketing achar que pode cobrar mais do que o cliente de fato tem espaço para pagar.

Rodrigo Bindes, Co-fundador e mentor da Ultralize, Ultralize
Sobre o autor

Rodrigo Bindes

Co-fundador e mentor da Ultralize

Rodrigo Bindes é co-fundador e mentor da Ultralize e CEO da Supersal, a mais conceituada agência de marketing para restaurantes do Brasil. Construiu uma agência do zero e, em três anos, atingiu múltiplos 7 dígitos de faturamento com mais de 50% de lucratividade.